quarta-feira, 26 de outubro de 2011

CÂNON

Ai que saudade de soltar todos os meus sapos aqui no meu blog.
Não há tempo, não há paciência...isso, acho que principalmente me falta paciência. A gente perde um pouco essa virtude com a idade. Preciso me acostumar.

Mas venho por um bom motivo. Oswaldo Pastorelli, poeta que conheci há anos, desde os tempos do PD - Poesia Diária, quando não existia orkut, facebook, nada disso.. Só listas de discussão. Mas alguns poetas daquela época permanecem na minha vida, graças a Deus, pq só a poesia para resgatar meus momentos mais íntimos,  me acalmar...

Oswaldo envia todos os dias um poema, uma prosa, uma crônica, para mim e outros poetas amigos de tantos anos, por e-mail. Hoje ele me fez uma enorme surpresa.

Fui lendo o poema e identificando... Eu não lembrava mais dele, mas sabe quando lhe parece familiar? O formato, o jeito de escrever, meu Deus, pensei, esse poema é meu (ou eu deveria ter escrito. Poetas sempre pensam assim quando se identificam).

Quando acabei de ler até chorei. A assinatura, o crédito... era meu ! Filho esquecido, perdoe-me. Fiquem com o poema.


CÂNON


Sou santa de mim!
Carrego no olhar o peso da misericórdia
um grito desafeto
um silêncio um berro
um s.o.s. perdido
no mar de pura inconstância


Sou santa da própria infância
que ainda resiste ao tempo
um choro, largado lamento
calado na escuridão
sou tanto a ré pecadora
como a coitada em perdão


Sou santa da adolescência
a doce incompreendida
a louca, a puta, a vencida
a que ninguém ouve o choro
nem facilita a razão
sou chão, sou pedra

Sou santa adulta e tão velha
que mal agüento meu peso
que mal carrego meu corpo
por dez mil bolhas aceso

Sou santa pau oco rendido
chutando o demônio parido


Isabel Machado - Santos/SP

2 comentários:

Eliete Gouveia disse...

Muito belo!!!!!!Bjs

Blog-Sy disse...

A clareza e obscuridade da maturidade de forma dura e doce.
O processo na evolução como seres humanos começa em reconhecer nossas facilidades e dificuldade diante da vida que avança.